segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Entrevista para a Revista Pense Mais, em sembro 2015

Leiam, abaixo, a entrevista esclarecedora e interessante da Revista Pense+ sobre o 1° Workshop de Direito Holístico no Brasil, dias 01 e 03 de outubro de 2015.
http://revistapensemais.com.br/?p=1789


Certamente, muitas das suas dúvidas serão sanadas, após a leitura da entrevista abaixo e antes do nosso grande encontro, em outubro. 

Esqueça tudo que você conhece e pensa sobre "ser advogado" e venha conhecer esta prática do Direito que vem salvando carreiras e vidas (da depressão e do suicídio), em todo mundo. 

Como sabemos que não só os advogados estão num nível alto de estresse, nossas conferências são abertas também para o público de profissionais como: Psicologia, Terapia, Pedagogia,  Filosofia, RH - Relações Humanas, professores e empresários.

Confiamos que, juntos, poderemos reformar as grades curriculares das Faculdades de Direito e passarmos a preparar profissionais compassivos e capacitados para a Justiça do Terceiro Milênio.

Outras perguntas e inscrições: sol.nrconsultoria@hotmail.com
Saiba mais: http://direitoholistico.blogspot.com.br/2015/08/1-workshop-de-direito-holistico-no.html


1.       Conte-nos como você conheceu o Direito Holístico?



Sérgio - O Direito Holístico foi pensado por mim, nos idos de 1994, durante a minha Formação Holística de Base, criada pelo psicólogo francês Pierre Weil, reitor da UNIPAZ – Universidade Holística Internacional, quando tive a oportunidade de participar, por três anos, de seminários mensais com duração de dois dias, com mestres de variadas tradições espirituais e também psicólogos, filósofos, sociólogos, cientistas e terapeutas de vários países do mundo.
Após o término da Formação, cada aluno apresentava a sua “obra prima”, uma espécie de dissertação, quanto tive a oportunidade de transpor esta abordagem transdisciplinar para o Direito, tendo lançado, em 1997, o livro “Uma Visão Holística do Direito”, que foi traduzido para o inglês em 1998 e, para o espanhol, em 1999. 
Antes de lançar o referido livro, ao escrever o último capítulo, minha esposa Tânia, que foi revisora dos meus livros nos três idiomas, pesquisava na internet a palavra Holistic Law, quando descobriu a IAHL – International Alliance of Holistic Lawyers – Associação Internacional de Advogados Holísticos, nos Estados Unidos, que, naquela época, reunia, anualmente, cerca de 500 membros para conferência anuais. 

 2.      Como definir essa modalidade do Direito? É modalidade de Direito (tipo Direito Civil) ou é uma filosofia de vida para profissionais jurídicos?



 Sérgio - É uma nova forma do operador do Direito exercer a sua profissão, com uma visão transdisciplinar (holística), onde podemos utilizar conhecimentos de Psicologia, Filosofia, Terapias, para ajudar aos clientes a resolverem o seu problema jurídico, evitando somatizarem doenças, que poderiam ser causadas pelos sentimentos negativos como: vingança, raiva, ódio e medo.
 Tânia - Nesta modalidade da prática do Direito, o advogado holístico (holistic lawyer) passa a ser um mediador, pacificador (peacemaker) e conciliador, em oposição à prática tradicional do Direito, que prepara o advogado (straight lawyer) unicamente para vencer o litígio, numa negociação “ganha-perde”, enquanto o estilo do advogado holístico é trabalhar na negociação “ganha-ganha”, com o objetivo de resolver o conflito e, não, de ampliá-lo.  Como há pouca literatura para pesquisa em língua portuguesa, costumamos colocar as palavras em inglês, para facilitar as pesquisas desse tema.  Apesar do termo “holístico” estar muito desgastado, no Brasil, precisamos mantê-lo como termo técnico, para nos conectar ao material didático disponível no idioma inglês.



 Sérgio - Pode-se, facilmente, ser observada a mudança de paradigma, além do Direito, nos mais diversos ramos do conhecimento humano, inclusive em decorrência das descobertas da física quântica (Max Plank, Einstein, Niels Bohr, Heinsenberg, Bohm), dos campos morfogenéticos (biólogo Rupert Sheldrake), das funções dos hemisférios cerebrais (neurofisiologista Karl Pribham), da psicologia transpessoal (Pierre Weil, Maslow, Stanislav Grof, Brian Weiss), da medicina holística (Carl Simonton,Patch Adams, Bernie Siegel), das terapias alternativas (médicos Deepak Chopra e Richard Gerber),etc. Todos estes ramos citados caminham na direção do ser humano integral, em perfeita sinergia com a sociedade e a natureza, dentro de uma visão holística ou sistêmica.  Inevitavelmente, esta mutação consciência também está atingindo os meios jurídicos, visando o resgate da ética e da essência da justiça, que se distanciou dos anseios da sociedade.

3.       Como se pratica o Direito Holístico?




 Tânia - Desde 1998, damos palestras internacionais e treinamentos a advogados europeus, americanos e canadenses, nos Estados Unidos e Canadá, passando essas técnicas descritas no livro “Uma Visão Holística do Direito”.
Para divulgarmos este trabalho, criamos o 1º Workshop de Direito Holístico no Brasil e escolhemos a cidade de São Paulo para sediá-lo.  Assim, esperamos que, nas universidades brasileiras, as Faculdades de Direito se sensibilizem em colocar nas suas grades curriculares, disciplinas como: Psicologia Transpessoal, Ética, Filosofia, Mediação, Meditação,  Direito Holístico  com seus ramos em Direito Colaborativo (Collaborative Law), Direito Integrativo (Integrative Law), Direito da Terra (Earth Law), Bioética e Biodireitos , para formar advogados holísticos mais capacitados a lidar com pressão dos prazos, conflitos emocionais, frustrações, ansiedade, depressão e tentativas de suicídio. Estudos demonstram que 20% dos advogados americanos sofrem de depressão incapacitante para o trabalho.   No Brasil, não temos esses dados.  As universidades americanas já estão inovando ao colocar disciplina Felicidade em seus currículos, como uma espécie de “vacina” para a depressão que muitos estudantes e operadores do Direito enfrentam em suas carreiras, abandonando a sua prática, por não conhecerem esta forma holística de advogar.

4. Por que se chama Direito Holístico e, não, "filosofia holística"?



Sérgio - Na verdade é uma forma de simplificar esta nova visão transdisciplinar ou sistêmica para o Direito, mas também você poderia dizer que é uma filosofia holística aplicada ao Direito.
Tânia – Trata-se de uma abordagem ampla e de uma forma didática de apresentarmos tantos conhecimentos, ténicas e práticas que irão auxiliar a formatar corações compassivos, ao longo de uma carreira que, há anos, forma corações de “gladiadores”.   De que adianta termos tantos cursinhos e treinamento (mental) de mediação e conciliação, para atendermos ao novo Código de Processo Civil, se os corações não forem compassivos?

5.     O Direito Holístico poderia ser aplicado a qualquer profissional de qualquer área? Ou é exclusivo dos  operadores do Direito? 



Sérgio - Esta metodologia que aplicamos, para transformar o operador do Direito mais conservador num advogado holístico pode ser adaptada para outras áreas do conhecimento, pois visa um maior autoconhecimento e sensibilização do indivíduo para que ele possa preservar a sua paz interior, além de  contribuir nos seus relacionamentos interpessoais, na harmonização da sociedade e no seu despertar para a necessidade de proteção da natureza, como forma de preservar o meio ambiente saudável para as futuras gerações.   
Tânia – Profissionais de outras áreas do conhecimento também precisam conhecer seus direitos, por isso, geralmente, comparecem aos nossos treinamentos e conferências internacionais muitos psicólogos, pedagogos, professores, empresários, filósofos e  pessoas que buscam o seu autoconhecimento e melhor qualidade de vida.  Após conhecerem essa abordagem holística do Direito, profissionais de outras áreas preferem o conforto emocional e a segurança, ao contratarem um advogado holístico, porque estamos comprometidos com a ética e a resolução dos conflitos.  No mundo todo o advogado holístico é sinônimo de ética e transparência, tipo um selo de qualidade. 

6.      A atual cultura jurídica brasileira preza muito o sistema bélico. É possível praticar uma filosofia holística dentro de uma batalha dentro do tribunal?


Sérgio - Desde 1997, venho defendendo uma mudança na grade de ensino das Faculdades de Direito, visando englobar novas ferramentas educacionais indispensáveis na formação de profissionais mais éticos e conciliadores; enfim, mais capacitados para enfrentarem um competitivo mercado de trabalho, sem enfartar, antes de completarem  50 anos, devido ao grande estresse típico desta profissão. 
Entendo que já é tempo das Faculdades de Direito e o MEC despertarem para as novas necessidades dos seus alunos, de poderem  trabalhar, eticamente, no exercício da função social da justiça, numa sociedade competitiva e globalizada, sem perder sua saúde física ou mental.  Recente pesquisa realizada pela OAB da Califórnia - EUA, publicada na revista americana “ USA Weekend”, constatou que 70% dos seus advogados filiados não escolheriam de novo esta carreira; além de 75% não desejarem que seus filhos façam o mesmo, em decorrência do alto nível de estresse dessa profissão.
Ademais, em  palestra da ex-Ministra do STJ, Dra. Eliana Calmon, realizada em Salvador, durante a “II Jornada Nacional de Direito Material,” tive a oportunidade de ouvi-la explanar sobre a importância do resgate da ética na justiça, como um fundamento básico para que no terceiro milênio, possam ser aplicados corretamente os “Direitos de 4ª Geração” relativos à bioética tais como: a clonagem, barriga de aluguel, transplante de órgãos, dentre outros.  Outrossim , a eminente Ministra do STJ, Dra. Nancy Andrighi, em Seminário sobre os Juizados Especiais no Rio de Janeiro, defendeu a criação de Varas de Família Especiais, onde o casal seria recebido por uma equipe de psicólogos e assistentes sociais,“que tentariam amenizar as emoções daquele momento, levando os filhos para uma outra sala colorida, aconchegante e, até mesmo, com brinquedos, onde receberiam de profissionais especializados as primeiras orientações sobre como aceitar a separação dos pais com mais serenidade e menos sofrimento”. 
Cada vez mais, acredito que a justiça mais célere só possa ser possível se praticada à visão holística do Direito,  dentro dos Tribunais, buscando alternativas para a solução negociada dos litígios.

7.    Qual o maior problema dos advogados e profissionais do Direito hoje? prazos? volume de trabalho?



Sérgio - Na minha opinião, seria a falta de celeridade na tramitação dos processos judiciais e o excesso de recursos possíveis, que dificultam uma solução mais rápida para os processos.  Além da implantação de processos judiciais eletrônicos de natureza diversa, na Justiça do trabalho, na Justiça estadual, nos Tribunais Superiores.
Tânia – Penso que, como tudo acontece em tempo real, hoje em dia,  a justiça, por ser lenta e cara, acontece em “tempo irreal”, fazendo crer, aos nossos clientes, que o operador do Direito seja o ineficiente.  O advogado acaba somatizando no seu corpo físico (pressão alta, depressão, problemas cardíacos, alcoólicos, de locomoção - com uso de bengalas), os sintomas de um judiciário doente.
8. O que poderia ser feito para melhorar a vida do profissional de Direito?
Sérgio - A unificação em apenas um modelo de processo judicial eletrônico em todas as Justiças e Tribunais, que fossem estabelecidos prazos máximos para que os juízes pudessem dar suas sentenças e os tribunais julgarem suas apelações, diferentemente do que ocorre hoje, quando um juiz pode levar, por exemplo, cinco anos para julgar um processo simples.

9. Como funciona um workshop de Direito Holístico?



Sérgio - Inicialmente para ajudar o melhor entendimento dos operadores do Direito, explicamos os embasamentos científicos que estão levando a estas mudanças de paradigmas, desde a física quântica até a psicologia transpessoal, de forma prática e abrangente, fazemos várias “holopraxis” (práticas holísticas:  exercícios de respiração profunda – pranayamas, meditação, visualização criativa, alongamentos),  durante o treinamento intensivo, por cerca de 10 horas,  a se inserirem nas novas perspectivas de atuação do profissional de Direito, dentro de uma visão sistêmica de “Qualidade Total”, que se inicia no seu processo de autoconhecimento, conhecendo os fundamentos da inteligência emocional, ensinando a exercitar seu autoconhecimento dos seus talentos e dons inatos, bem como dos seus pontos fracos, assim como raciocínio,  intuição e criatividade, para que ele possa ser um profissional plenamente centrado, que busque soluções conciliadoras para resolver os conflitos dos seus clientes e com sentimento de solidariedade para com  a sociedade e a natureza.
Tânia – Conheçam a programação completa no nosso blog www.direitoholistico.blogspot.com.br e deixem o “curtir” na nossa página do Facebook: Direito Holístico – Holistic Law.
10.    No exterior, essa prática é mais conhecida? Conte-nos sua experiência com o Direito Holístico fora do país.



Tânia – Fui diretora da IAHL – International Alliance of Holistic Lawyers, por 12 anos (de 1998 a 2010), fazendo pautas, palestras e programas para as conferências internacionais que sempre aconteciam nos EUA e Canadá, quando vinham advogados holísticos do mundo inteiro, para passarem um final de semana juntos, como se fosse uma linda revoada de advogados holísticos, peacemakers (apaziguadores).  Fotos nossas (Tânia e Sérgio) e rica narrativa podem ser encontradas em nosso blog, sobre essa prática enriquecedora em nossas vidas.  Hoje,  comunicamo-nos por conferência on-line, via Skype e Facebook, quando trocamos experiências, vivências e ampliamos nossos conhecimentos.  Todos estão torcendo pelo sucesso do 1º Workshop de Direito Holístico no Brasil, que será enviado para eles (advogados holísticos no exterior) em tempo real, via internet, com a realização das fotos e filmagem pela Revista Pense+, da qual sou articulista e fã.
Sérgio - Recente pesquisa realizada pela OAB da Califórnia - EUA, publicada na revista americana “ USA Weekend”, constatou que 70% dos seus advogados filiados não escolheriam de novo esta carreira; além de 75% não desejarem que seus filhos façam o mesmo, em decorrência do alto nível de estresse dessa profissão. Que já é motivo de preocupação mundial.
Participei, com Tânia, anos a fio,  vários congressos da Associação Internacional de Advogados Holísticos (IAHL), mas lembre-me, em especial de quando estivemos reunidos com 150 juristas holísticos, em Miami - EUA, para debater “ O  Direito Como uma Profissão de Cura”, ou seja , como evitarmos que as partes e advogados envolvidos em litígios judiciais somatizem seus sentimentos  de raiva, vingança ou depressão em doenças ; lições estas que já estão sendo ensinadas nas principais Faculdades de Direito americanas, como relataram os Profs. Cheryl Conner da “Suffolk University Law School”-Boston; Susan Daicoff da “Capital University Law School”-Ohio; Bruce Winick da “University of Miami”; David Wexler da “University of Arizona”; Edward Dauer da “University of Denver”; Bill Weston da “Florida School of Law”e Jamie Cooper da “ Western Law School - San Diego”; todos preocupados em dar maior ênfase na função social e ética, do que na visão mercantilista do futuro operador do direito. Estas tendências do direito moderno visam evitar a manutenção do nível de desajuste físico e emocional dos seus profissionais, consoante pesquisa apresentada por psicólogos, que constataram um padrão constante, ano após ano, de cerca de 20% destes profissionais, com graves problemas de depressão, estresse, alcoolismo.



Tânia Motta Nogueira Reis – advogada holística, escritora, palestrante motivacional, mediadora, com pós-graduação em Terapia Transpessoal, com especializações em Terapia Familiar Sistêmica e Psicoaromaterapia, ex-diretora da IAHL – International Alliance of Holistic Lawyers (1998 a 2010), com sede nos EUA, ativista em Direitos Humanos, presidente e fundadora da ONG de mulheres pela paz nos lares, desde 2002, MONGA – Mulheres Organizadas e Não Governadas Anônimas, conselheira da Unipaz-Bahia, idealizadora e coordenadora deste workshop.
Sérgio Neeser Nogueira Reis – advogado holístico, escritor, autor do livro "Uma Visão Holística do Direito – Manual Prático para o Jurista do 3º Milênio, pela Editora Nova Alvorada, em 1997(traduzido para o inglês e espanhol, 1998); ele é Mestre em Direito Privado pela UFBA - Universidade Federal da Bahia, pós-graduado em Direito Ambiental pela UFBA, presidente da Sociedade Brasileira de Bioética-Regional Bahia. Membro do Tribunal de Ética e Disciplina da OAB-BA, de 2001 a 2009. Diretor Jurídico da UNIPAZ-Bahia. 

Saiba mais: www.direitoholistico.blogspot.com.br

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